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quarta-feira, 5 de setembro de 2012

ILHA DE HISTÓRIAS

ACERVOS CULTURAIS
Grande parte do acervo cultural de São Luís está reunida no Centro Histórico, tombado pela Unesco e que ocupa quase todo o bairro de Praia Grande. O casario colonial - cerca de três mil construções - predomina na paisagem, conduzindo a uma viagem ao século 18, quando os portugueses tomaram a cidade dos franceses. Para circular por ali, reserve uma tarde e caminhe sem pressa, observando os detalhes das fachadas dos sobrados restaurados que se espalham por ruas de pedra, becos, ladeiras, praças e largos. Ao anoitecer, observe o charme das luminárias de época. 

Os famosos azulejos portugueses - há também exemplares franceses, belgas e alemãs - que decoram os prédios do Centro Histórico não se limitam às funções estéticas. Aplicados na fachada das residências no século 19, foram fundamentais para a adaptação dos portugueses ao clima equatorial - ao refletirem a luz do sol, amenizavam o forte calor da região.



Casa do Maranhão

O museu folclórico funciona no antigo Prédio da Alfândega, datado de 1873. As visitas guiadas apresentam todo o acervo, formado por vestimentas e instrumentos musicais usados nas festas do Bumba-Meu-Boi. Para saber mais sobre o Centro Histórico e a cultura maranhense, siga para a sala de vídeo. 

Casa de Nhozinho

O museu está instalado em um dos mais imponentes prédios coloniais do Centro Histórico, com quatro andares e fachada recoberta de azulejos. O nome do espaço é uma homenagem ao artesão maranhense que, ao longo da vida, confeccionou brinquedos e figuras do folclore em buriti. No acervo da casa estão inúmeras obras de Nhozinho, com destaque para as delicadas miniaturas de personagens do Bumba-Meu-Boi. Também estão expostos objetos e artefatos do cotidiano regional, como pilões, carro de boi, utensílios de pesca e artesanato indígena. Aproveite as visitas guiadas para conhecer em detalhes cada um dos pavimentos.

Museu Histórico e Artístico do Maranhão

O preservado Solar Gomes de Sousa, erguido em 1836, foi transformado em museu em 1973. Os objetos em exposição - mobiliário, porcelanas, vidros e cristais - reconstituem os ambientes das ricas residências maranhenses dos séculos 18 e 19. Antes de entrar para uma visita guiada, aprecie a fachada, um belíssimo exemplar da arquitetura colonial portuguesa.

Centro Histórico Solar dos Vasconcelos

O sobrado abriga exposição de fotos e de objetos que mostram as transformações pelas quais passou o Centro Histórico. Apresenta ainda uma coleção de maquetes e miniaturas de embarcações típicas usadas pelos maranhenses.

Museu de Artes Visuais

O destaque da exposição são os estilos variados dos azulejos portugueses, ingleses, franceses e alemães dos séculos 18 a 20. Também há coleções de pinturas de artistas brasileiros e de arte sacra do século 17. Um mirante no terceiro andar descortina bonita vista do Centro Histórico, da baía de São Marcos e do Mercado Praia Grande. Há visitas guiadas.


Cafua das Mercês

Sede do Museu do Negro, o pequeno sobrado colonial do século 19 funcionava como mercado de escravos. O acervo reúne objetos de tribos africanas, como instrumentos, musicais e indumentárias usadas em rituais festivos e religiosos.

Convento das Mercês


O antigo convento abriga um espaço cultural onde estão o Memorial José Sarney, com objetos relacionados ao ex-presidente; e também o Museu da Memória Republicana. Em julho, é palco do Vale Festejar, um São João fora de época.

Palácio dos Leões


Quando foi erguida pelos franceses, em 1612, a construção foi batizada de Fortaleza de São Luís. Tomada pelos portugueses, foi transformada em um palácio neoclássico com salões que exibem mobiliário, obras-de-arte, gravuras e quadros dos séculos 18 e 19.

Teatro Arthur Azevedo


O segundo teatro mais antigo do Brasil foi inaugurado em 1817. A bela obra em estilo neoclássico ficou abandonada por cerca de 30 anos - de meados de 1960 a 1991 - sendo restaurada em 2005. Desde 2006, a casa é aberta ao público para visitas guiadas e espetáculos.

Beco Catarina Mina


A escadaria de 35 largos degraus em pedras de lioz, datada do século 18, ganhou o nome em homenagem a uma bela escrava que, a partir do trabalho árduo e "favores" prestados aos coronéis portugueses, comprou a própria alforria.

Fonte do Ribeirão

A mais bem conservada fonte de São Luis foi inaugurada em 1796. Traz cinco jorros de água que saem da boca de carrancas e de esculturas de peixes e deuses.

Matriz da Sé


A igreja erguida pelos jesuítas em 1699 passou por uma série de reformas desde a inauguração. Em 1922, a fachada ganhou detalhes neoclássicos, enquanto nos anos 50 o teto da nave foi incrementado com pinturas. O altar-mor, porém, foi preservado, com rebuscadas talhas douradas barrocas do século 19.

Igreja do Carmo



Beleza e história se misturam na Igreja do Carmo, erguida em 1627. Em 1643 a construção foi transformada em fortaleza pelos combatentes que expulsaram os invasores holandeses. Já em 1866 teve a fachada revestida por belíssimos azulejos portugueses, preservados até hoje.

Igreja do Desterro

Acredita-se que a igreja, inaugurada em 1893, tenha sido erguida no mesmo local onde os colonizadores construíram a primeira capela da região, destruída durante a invasão holandesa.

Por Editoria Férias Brasil

Fonte: http://www.feriasbrasil.com.br/

Blog de coisinhasdeamor :'COISINHAS DE AMOR', Gifs!

terça-feira, 4 de setembro de 2012

SOMOS TODOS IRMÃOS

NÓS, LATINO-AMERICANOS
Somos todos irmãos
mas não porque tenhamos
a mesma mãe e o mesmo pai:
temos é o mesmo parceiro
que nos trai.

Somos todos irmãos
não porque dividamos
o mesmo teto e a mesma mesa:
divisamos a mesma espada
sobre nossa cabeça.

Somos todos irmãos
não porque tenhamos
o mesmo berço, o mesmo sobrenome:
temos um mesmo trajeto
de sanha e fome.

Somos todos irmãos
não porque seja o mesmo sangue
que no corpo levamos:
o que é o mesmo é o modo
como o derramamos.
TRADUZIR-SE:
Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim 
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir uma parte
na outra parte
— que é uma questão
de vida ou morte —
será arte?
FERREIRA GULLAR
Poeta Maranhense

LUAR DA MINHA TERRA

LUAR DO SERTÃO
 
 
Não há, oh gente
oh não, Luar
Como esse do sertão.

Oh que saudade
Do luar da minha terra
Lá na serra branquejando
folhas secas pelo chão

Este luar cá da cidade
Tão escuro
Não tem aquela saudade
Do luar lá do sertão

Não há, oh gente...

Se a lua nasce
Por detrás da verde mata
Mais parece um sol de prata
Prateando a solidão

E a gente pega
Na viola que ponteia
E a canção
É a lua cheia
A nos nascer do coração

Não há, oh gente...

Coisa mais bela
Neste mundo não existe
Do que ouvir-se um galo triste
No sertão, se faz luar

Parece até que a alma da lua
É que descanta
Escondida na garganta
Desse galo a soluçar

Não há, oh gente...

Ah, quem me dera
Que eu morresse lá na serra
Abraçado à minha terra
E dormindo de uma vez

Ser enterrado
Numa grota pequenina
Onde à tarde a sururina
Chora a sua viuvez

Não há, oh gente...

CATULO DA PAIXÃO CEARENSE 
Poeta Maranhense
(Letra de música)

O PORVIR

SAUDADES NO PORVIR
Eu vou com a noite
Pálida e fria
Na penedia
Me debruçar :
O promontório
De negro dorso,
Qual nau de corso
Se alonga ao mar.

Dormem as horas,
A flor somente
Respira e sente
Na solidão;
A flor das rochas,
Franzina e leve,
Ao sopro breve
Da viração.

Cantando o nauta
Desdobra as velas
Argênteas, belas
Azas do mar;
Branqueia a proa
Partindo as vagas,
Que n' outras plagas
Se vão quebrar.

Eu ponho os olhos
No firmamento:
Que isolamento,
Oh, minha irmã !
Apenas o astro
Que a luz duvida,
Promete a vida
Para amanhã.

Naquela nuvem
Te vejo morta ;
Meu peito corta
Cruel sentir ï
Da lua o túmulo
Na onda ondula,
E o mar modula
Como um porvir..
SOUSÂNDRADE
Poeta Maranhense

AS ÁGUAS PASSAM

MEDITAÇÃO SOBRE  BACANGA



As águas passam

É lua e as casas aparecem.

Sou eu. Narciso que se olha

E fenece.

Tudo é sombra, sombra e nada,

água e silêncio nas folhas e vales

rompidos pelo Bacanga em sulcos

de madrugada.

Faixa de vento na montanha a encher e vazar:

címbalos onde o tédio geme.

É o gigante do não esquecer e as vozes do mangue.

Sangue correndo das imagens mordidas

pelos dentes estranguladores da noite.


Narciso se olha

Satanicamente o brilho dos olhares

buscam o que não existe mais.

Ele vivia além e tinha fome, mas pensava.

Comeu os pensamentos devorando os dias

o nome e a noite.



Doce rio que vem e bóia

na enseada.

Águas barrentas, sujas,

Liberdade que morreu

e se afoga

no Mar.


Medito sobre mim que já sou morto:

as canções fúnebres que me pesam

como pedras no vazio do

lembrar.

- Barquinho de vela

que vai sobre o mar.

Boneca amarela

que me vem roubar.

Meus olhos fenecem e o presságio dorme

no espelho das águas que

escorrem. 
José Sarney
Poeta Maranhense
(A Canção Inicial/1954)